slow food
Antes de mais nada, vamos à origem da palavra. “Slow”, em inglês, quer dizer “lento, devagar”. A vida inteira ouvimos falar e utilizamos a terminologia fast food (comida rápida) quando nos referíamos a lojas e estabelecimentos que preparam pratos rapidamente ou para viagem.

Pois bem, slow food é exatamente o inverso disso.

Mas calma, isso não resume tudo. Mais do que simplesmente “cozinhar devagar”, a filosofia do slow food prega um regresso às práticas culinárias mais tradicionais, antigas e também caseiras. Poderíamos dizer, de um modo bem objetivo, que tudo isso tem a ver com cozinhar com mais paciência, mais prazer, mais dedicação e de forma mais natural.

O movimento é mundial, e foi inicialmente “fundado” por um italiano chamado Carlos Petrini, na década de 80. O italiano defendia as tradições regionais gastronômicas e sua volta, o uso de boa comida, a volta do prazer de comer e também de cozinhar.

Mas se você gostou da ideia e pretende instaurar esse movimento em seu restaurante ou estabelecimento, mais do que ouvir definições você precisa de ação. E vamos propor um esquema de 10 passos para você começar com o slow food.

Entender a filosofia do movimento

slow food 1O slow food vai além da comida em si – tem a ver com a qualidade de vida, o consumo responsável e ético, valores familiares e regionais, além de uma cultura relacionada ao prazer gastronômico. Sem compreender isso, qualquer incursão no slow food pode soar falsa e vazia. 

Procure empresários com afinidades

slow food 2Não há exatamente “grupos” de slow food no Brasil, pelo menos ainda. Porém, o slow food exige que vários produtores, restaurantes, consumidores e entidades se unam em torno de uma mesma filosofia.

Busque empresários da sua região que partilhem desses mesmos valores de contato com o alimento e com a comunidade, e entenda como a cadeia funciona em sua localidade – você precisará dela para operar a mudança.

Cozinhar de verdade

slow food 3Talvez você precise de reformulações. Talvez precise aposentar alguns de seus funcionários e contratar gente que realmente cozinhe, não que aperte botões. Você mesmo, de qualquer modo, deve se engajar, ainda que seja o responsável somente pela parte administrativa em seu estabelecimento.

O slow food tem tudo a ver com o envolvimento – empresários que não se dedicam, cozinham junto com seus funcionários e também com seus clientes não tem condições de operar uma verdadeira mudança para esse movimento. É preciso participar, e a melhor forma de fazer isso é cozinhando – não apenas no restaurante, mas também em sua casa.

Fornecedores locais

slow food 4Preço é importante sim, e também qualidade dos produtos. Mas dentro do esquema de slow food, é preciso valorizar o que é produzido ou vendido na região onde você está. Busque fornecedores para restaurante próximos e de qualidade e tente parcerias – para eles, é uma oportunidade de conseguir melhores preços, vendendo direto para você; para você, é a resposta para conseguir alimentos mais frescos e naturais.

Modificação genética nunca

slow food 10Alimentos com modificações genéticas ou cultivados de forma industrializada precisam ser evitados a todo custo. A ideia por detrás do “slow” aqui também cabe na parte de produção – vegetais cultivados de forma acelerada ou animais criados com hormônios estão fora do jogo.

Saiba mais sobre alimentos transgênicos e seus riscos acessando clicando aqui.

Não há slow food sem orgânicos!

slow food 5E não adianta apenas buscar o “selo” orgânico nos mercados e atacados – vá atrás de produtores e compre diretamente da lavoura. Somente assim é possível assegurar uma produção realmente orgânica em nosso complicado Brasil.

Saiba mais sobre como e onde encontrar produtos orgânicos através do site da Associação de Agricultura Orgânica.

Cultivo no seu local

slow food 6Claro, ninguém espera que você mantenha 100 cabeças de gado para abate dentro de seu restaurante, ou que cubra alqueires com lavouras de leguminosas. Se você possui, além do restaurante ou bar, uma fazenda, é uma boa chance de não apenas ingressar no sistema de slow food, mas também de reduzir custos e verticalizar seu negócio.

Porém, mesmo para quem não possui essa opção, é válido criar algum produto local – hortas de temperos, por exemplo. Compotas e conservas produzidas no próprio restaurante. Azeites e vinagres artesanais, e por aí vai.

Compartilhe sua vida gastronômica

slow food 7Como dono de um restaurante que segue a filosofia do slow food, é preciso que você compartilhe suas experiências.

Viajou para a Itália e comeu uma massa feita na hora nos jardins de uma vinícola – mostre isso em um prato para seus clientes. Tudo o que acontece em sua vida, do ponto de vista gastronômico e nutricional, passa a ser de interesse de sua equipe, seu estabelecimento e principalmente de seus clientes.

A família

slow food 9Se você tem possibilidade de tratar seu negócio de um modo mais familiar, essa é a hora. Os clientes poderão ver que você vende valores de slow food, mas que também os pratica em sua casa e com seus entes queridos.

Desenvolva ainda cardápios que possuam opções para crianças, para pessoas mais idosas e também “pratos familiares”, como aqueles feitos na casa da vovó aos domingos, mas claro, com um toque profissional.

Visite sua cozinha

slow food 8Sejamos francos – aquele cartaz ao lado da cozinha, na grande maioria dos restaurantes brasileiros, possui um caráter pró-forma. Está ali apenas porque determinada legislação o exigiu.

No slow food, o “como” você prepara os alimentos é do interesse dos clientes. É uma atração. É um modo de validar os valores que você está propondo, de cozinha com prazer, com dedicação, com carinho.

Não espere aquele cliente chato que apostou com os amigos que iria infernizar o cozinheiro – chame seus clientes para ver o modo com que você conduz sua cozinha, como você cuida do alimento que eles irão saborear, como você se importa não apenas com a opinião deles, mas sobretudo, com o prazer em seu paladar.

Mantenha a placa – a lei exige. Mas instrua garçons e funcionários a convidar os clientes.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o conceito de slow food, compartilhe nos comentários: para você, qual a maior vantagem deste conceito?

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